Vacina contra gripe é menos eficaz em homens com mais testosterona

Ao estudar a eficácia do medicamento, pesquisador defende que as diferenças entre homens e mulheres deveriam ser levadas em consideração pela indústria farmacêutica


Sabemos que homens e mulheres são muito diferentes, mas você já percebeu que os medicamentos e vacinas são feitos da mesma maneira para todos nós?! Logicamente, muitos estudos são realizados antes de criar um remédio, mas eles não levam em consideração o sexo das pessoas e a maneira como cada organismo reage às substâncias.

Um bom exemplo disso é um estudo que foi publicado recentemente que concluiu que as vacinas que buscam combater o vírus influenza são menos eficazes em homens, especialmente se eles tiverem altos níveis de testosterona, que é um o hormônio que suprime o sistema imunológico.

Em seu estudo, Mark Davis, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, não estava buscando relacionar as diferenças de gênero na eficácia da vacina contra a gripe, mas a pesquisa o levou a concluir que realmente existem diferenças, que ele espera que chamem atenção e sejam levadas em consideração pela indústria farmacêutica.

               Como tudo funciona

Em geral, os exames laboratoriais tratam o gênero como um fator a ser excluído, em vez de um aspecto que precisa ser estudado. Além disso, é que comum que exista um número menor de mulheres entre os participantes de análises e experimentos.

Ainda é possível tirar outras conclusões quanto às diferenças entre os sexos. Os homens, por exemplo, precisam de doses maiores para obter o resultado desejado. Também não podemos esquecer que as substâncias resultam em efeitos colaterais, afinal, as vacinas consistem em injetar um vírus (morto ou enfraquecido) para dentro do corpo. Para as mulheres, que têm um sistema imunológico mais forte, isso pode representar sintomas mais acentuados, como febre, dor de cabeça e cansaço.

             A gripe e a testosterona

Mark Davis buscava identificar porque a vacina contra a gripe era mais eficaz para algumas pessoas e menos eficaz para outras através da medição da resposta dos anticorpos. É importante lembrar que o papel da vacina é fazer com que o organismo crie anticorpos para combater o vírus. A partir daí, o que Davis descobriu foi que o sexo tinha uma relação direta com a resposta dos anticorpos.

Após essa descoberta, o pesquisador foi além e analisou os níveis de testosterona para concluir que os homens, principalmente aqueles com altos índices do hormônio, têm uma baixa resposta de anticorpos à vacina da gripe.

“Eu realmente acredito que os desenvolvedores de vacinas precisam pensar nas reais diferenças entre homens e mulheres. Isso nunca foi um aspecto importante, mas agora eu acho que deveria ser”, explica Davis.

Agora, o pesquisador fica na expectativa de que a indústria leve seu estudo em consideração e passe a incluir o sexo como um fator relevante nas análises laboratoriais e, consequentemente, no desenvolvimento de vacinas e medicamentos. Logicamente, ainda é preciso seguir com as pesquisas para que possamos entender exatamente o que difere o sistema imunológico de homens e mulheres. No entanto, a boa notícia é que não há mais dúvidas de que realmente somos diferentes.

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